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“Consultants are handpicked and paid by the same banks they are supposed to examine.”

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Clicar na imagem para aceder ao texto.

“A família Espírito Santo doou cerca de 105 mil euros para a campanha presidencial de Cavaco Silva em 2006. O valor representa 5% do valor angariado pelo actual presidente da República nessa corrida eleitoral (2,2 milhões de euros). O montante é apresentado pelo Diário de Notícias desta quinta-feira, 21 de Agosto, após consultar as contas da campanha.

Para chegar a este total, a publicação reuniu as doações de Ricardo Salgado, António Ricciardi, José Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo (todo optaram pelo donativo máximo permitido por lei, 22.482 euros) e José Maria Ricciardi (que doou 15 mil euros). No total, doaram mais de 104.928 euros.

A publicação destaca ainda outras contribuições de nomes ligados à banca. João Rendeiro, do BPP, optou por financiar apenas a campanha de Cavaco Silva, com o valor máximo permitido. Oliveira Costa, antigo presidente do BPN, doou 15 mil euros à candidatura do actual presidente e 2.500 à de Mário Soares. Jardim Gonçalves, ligado ao BCP, repartiu os seus donativos em partes iguais, tendo dado 10 mil euros a Soares e Cavaco.”

 Este é um tema que tem sido abundantemente documentado e tratado neste blogue por ser, claramente, um dos temas mais importantes das modernas democracias ocidentais. Veja-se por exemplo aqui, aqui e aqui.

A minha opinião está, por exemplo, aqui.

Desafios

“Depois de uma das maiores falhas de governação de que há memória, seria importante que o IP Corporate Governance promovesse uma boa reflexão sobre o estado da “corporate governance” em Portugal e sobre as virtudes da diversidade nos Conselhos de Administração nos bancos e nas empresas, incluindo as empresas públicas.”

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 Decreto-Lei n.º 125/2014. D.R. n.º 157, Série I de 2014-08-18

Registo uma pequena nota inovadora mas, ao mesmo tempo, misteriosa: “O provimento do presidente do conselho de administração deve garantir a alternância de género e o provimento dos vogais deve assegurar a representação mínima de 33 % de cada género.” (artigo 14, nº 7). A minha curiosidade é sobre a natureza do tertium genus a quem cabem 33% dos lugares do Conselho de Administração.

“(…) o TTIP implicará o estabelecimento de um conjunto de instituições e procedimento inteiramente escudadas do escrutínio cidadão e parlamentar. A cooperação regulatória implicará, por exemplo, a criação de um conselho, cujos membros não serão eleitos, e prováveis sanções, cuja gravidade deverá atingir aquelas já previstas no Pacto de Estabilidade e Crescimento, contra os Estados que não aceitem modificar os seus quadros regulatórios no sentido da harmonização com os Estados Unidos da América.”

Daqui.

Esta notícia: Montepio tem quase dois mil milhões em empréstimos sem garantias, leva-me a retirar isto  e isto do “guarda-factos”.

Uma constante nas instituições financeiras portuguesas onde se têm vindo a detectar problemas sérios são as tentativas de deposição das suas administrações, muitas vezes travestidas de “alteração de modelo de governo” (exemplo máximo é o caso do BCP, mas também aconteceu no Montepio) e que acabam com denúncias às entidades reguladoras sobre irregularidades.

Por isso, sempre que oiço falar em “alteração de modelo de governo”, fico calmamente à espera da denúncia de irregularidades dentro dessas instituições.

Já agora, recordo que também a CGD é objecto recorrente de alterações ou tentativas de alteração de modelo de governo (é só fazer uma busca neste blogue para encontrar referências ao tema). Tenho a optimista esperança de que aí, na maior parte dos casos, seja “apenas” para acomodar as mudanças  do “arco da governação”.

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O silêncio que invadiu este blogue na última semana não se deveu a férias nem a qualquer estado de choque que, na verdade, as circunstâncias da nossa vida pública (a que alguns chamam negócios privados) merecem, mesmo para quem, como eu, não “joga” na bolsa. Estive antes submersa num tsunami de móveis, roupa, livros e papéis e toda a espécie de tralha acumulada por uma vida adulta que não gosta de deitar nada fora, duas vidas adolescentes, uma das quais herdou aquela característica materna e a outra é desorganizada por condição própria e uma vida felina felizmente muito despojada de bens materiais e que, por isso mesmo, merece ser enaltecida. Posso agora afirmar, exultante, que sobrevivi à mudança de casa, graças a um batalhão de pequenas formigas com alma de cigarras, brasileiras e cabo verdianas que, incansáveis, mantiveram sempre um sorriso e um ânimo incompreensíveis quando, depois de se transportarem largas dezenas de caixotes de livros, ainda havia mais e mais coisas para fazer. Nada foi problema. E, antes deste batalhão esteve outro, igualmente animado, neste caso de valentes portugueses, com igual ânimo e gosto a pôr a nova casa “num brinquinho”.

Não é por aqui que o país deixa de crescer. Mas estou em crer que cresceria mais se tratasse melhor esta gente simples.

Nos intervalos, fui seguindo de longe as notícias, as entrevistas, os comunicados sobre “o caso”. No Sábado, abri o Expresso de corrida e caí logo numa dupla página onde dois accionistas da OI se propunham, num gigantesco anúncio pago, repor “a verdade dos fatos”. Fiquei impressionada e fui a correr para o meu guarda-factos.

Mas volto. Breve

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Excerto do prefácio de Ramalho Eanes a este livro: 

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“O conselho de administração da Portugal Telecom (PT) confirmou hoje a demissão de Henrique Granadeiro do cargo de ‘chairman’ e presidente-executivo da operadora, no âmbito do investimento de 900 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, que entrou em ‘default’.

Em comunicado enviado à CMVM, o conselho de administração garante, contudo, que “em relação às aplicações de tesouraria na Rioforte, nem o Conselho de Administração nem a Comissão Executiva da PT aprovaram ou discutiram, antes das notícias veiculadas na comunicação social no final de Junho, essas aplicações”.

Henrique Granadeiro tem sido apontado como o principal responsável por este investimento e não o terá discutido com o resto do conselho de administração.

Para esclarecer a questão, o ‘board’ da PT “mandatou directamente a PriceWaterhouseCoopers (PWC) para analisar, de forma independente, os procedimentos e actos relativos a este assunto até à data e realizar uma análise abrangente de todos os aspectos relevantes relacionados com as aplicações de tesouraria em entidades do Grupo Espírito Santo”, acrescenta o comunicado.”

Daqui.

Ora, a PWC está a fazer a auditoria forense ao BES (presumo que ao bom e ao mau), o Presidente do Conselho Fiscal do Novo Banco pertence à PWC e a PWC vai analisar todos os aspectos relevantes das aplicações de tesouraria da PT no Grupo Espiríto Santo. Tudo perfeitamente normal. Pode ser que, assim, até saia mais barato.

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