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plinio o moço

Plínio, era um bom moço, como se pode ver por esta descrição:

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“Durante este período contribuímos para a estabilização do Banco, lançámos, com apoio da McKinsey, a elaboração de um plano de sustentabilidade, pusemos em curso a mudança de marca (por imperativo regulamentar), criámos as condições para a ‘normalização’ do funcionamento interno e externo do banco, definimos objectivos para o último trimestre e lançámos o processo orçamental para 2015, entre várias outras coisas”, adianta ainda no comunicado.

(Bold meu)

E a ética?

Can You Learn to Be a CEO?

gestão de incompetentes

Ofereceram-me este livro. Como não sei o que lhe fazer, partilho com os meus leitores.

O título deste post ocorreu-me ao ler este texto de António Costa no Diário Económico e que, a meu ver, é um retrato fiel do tempo que vivemos, pelo que diz, pelo que não diz, pelo que pensa que diz e pelo que quer dizer.

A dependência da supervisão relativamente a vários poderes, em especial o do governo e o de alguns “supervisionados”  torna o seu papel tão mais importante quanto difícil e, no caso concreto, de fim triste e certo para os titulares do cargo. E esse é o vaticínio de António Costa, reduzindo o gravíssimo problema com que Portugal se defronta a uma questão de nomes, pessoas e cargos.

O caso do BES, pela sua natureza e dimensão é, já há muito tempo (antes da descoberta do mirífico mecanismo de “resolução”, ele mesmo uma decisão de Estado), um assunto de Estado, mais do que de supervisão, e como tal deve ser visto e tratado.

Criticar Vitor Bento e a equipa que o acompanhou é a escapatória fácil para os próprios erros. Muito mau sinal.  

Este desfecho resulta de uma “governação” errática, sempre acompanhada por uma comunicação (institucional e social) que canta loas a todas as soluções porque todas são a “melhor solução possível nestas circunstâncias”, acritica, irreflectida e ignorante (passear nos corredores do poder pode dar alguma informação, mas não chega).

Se olhassem bem para o mecanismo de resolução, para o seu racional, e para o mecanismo “tipo” resolução (qual queijo “tipo” serra) que foi engendrado para o BES veriam como não pode resultar bem. Desde logo porque quem paga não manda, não se percebe quem manda, nem o que quer quem manda.

E pronto, here we go again, deslumbrados com a “escola Horta Osório” como ontem ouvi :

“Agora, sabe, há um banqueiro à frente de um banco, Eduardo Stock da Cunha, em comissão de serviço, com bilhete de regresso a Londres, com uma dupla missão, gerir e vender. Sem ambiguidades, nem conflitos de interesse.”

“Pedro Duarte Neves era sem dúvida o responsável de reguladores e supervisores mais bem colocado para ser o bode expiatório do que correu mal, mesmo que não assumido, na intervenção no Banco Espírito Santo. Carregava três escândalos na banca nos seus oito anos de vice-governador responsável pela supervisão. Cai com o quarto caso. Não se pode considerar que é correcto nem consistente com o que se tem dito até agora sobre o sucesso da acção no BES. Mas adivinham-se as razões O Governo e o Banco de Portugal têm de se preparar para a comissão de inquérito ao caso BES. E é preciso acalmar a KPMG.”

Do editorial de Helena Garrido no Jornal de Negócios de hoje.

Um conjunto de informação muito relevante, infelizmente pelas piores razões, e que merece análise cuidada. Aqui: Estatísticas trimestrais sobre processos de falência, insolvência e  recuperação de empresas e sobre processos especiais de revitalização.

(Cheguei a esta informação por aqui.)

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No Wall Street Journal de hoje.

(Clicando na imagem pode ler-se melhor) 

pequenos accionistas

Clicar na imagem para ler melhor.

Este é um dos muitos textos que têm surgido na imprensa sobre o problema dos pequenos accionistas e que remetem para o tema mais vasto do activismo accionista. A expressão “activismo accionista” abrange distintas realidades que vão desde a actividade dos conhecidos “abutres” até à intervenção dos representantes de fundos de investimento ou de simples pequenos investidores, com distintos objectivos, desde o lucro imediato à criação de valor a longo prazo. De todos temos dado exemplos no Governo das Sociedades, basta pesquisar pela expressão “activismo accionista”. A mim, o que mais me interessa é o activismo destinado à criação de valor a longo prazo, pois a estabilidade é um factor relevante na perspectiva que perfilho de que as empresas – seja qual for a sua dimensão – desempenham uma função mais vasta do que a da simples geração de lucro para os seus accionistas. A prova de que assim é é o medo que gera o eventual “efeito sistémico” dos problemas na banca. Outros exemplos haverá, mas este é o que o ar dos tempos torna mais fácil e evidente. 

No caso concreto do BES, não concordo com a imputação de qualquer culpa ou responsabilidade aos pequenos accionistas, embora reconheça que há lições a retirar do que aconteceu (e ainda vai acontecer).

Em geral, duvido muito da capacidade dos pequenos accionistas de ter “voz na gestão” como se sugere no texto que reproduzo. Diria até que, muitas vezes, pode ser contraproducente que a tenham. Mas acho que devem ter informação, verdadeira e clara e devem sempre pedi-la ou confiar os seus interesses a quem a  peça e utilize adequadamente no seu interesse, pois pedir e dar informação deve ser uma prática natural no contexto de confiança que a compra de acções num mercado de capitais tem que ser por natureza.

“A resposta depende menos dos acontecimentos e mais das circunstâncias (Vítor Gaspar vai gostar desta): é o credor estrangeiro. Às vezes chamam-lhe “mercados”. O credor torna-se acionista à força e vira investidor. É a força mais poderosa que se abateu sobre a economia portuguesa desde 2010, precisamente por sermos devedores. É o credor estrangeiro que está a reconfigurar a economia portuguesa (e a sua política, que depois de perder as ferramentas cambial e monetária, perdeu agora na prática a liberdade orçamental). É ele que escolhe gestão profissional em vez de familiar, e que prefere sempre fluxos de caixa a qualquer outro tipo de retorno, que pode sempre pressionar o pagamento de dividendos em vez de reinvestimento. É isso que está a acontecer dramaticamente no BES. É isso que vai reconfigurar a economia portuguesa: uma mudança de fora para dentro.”

Excerto de um texto de Pedro Santos Guerreiro disponível no Expresso online, com alguns importantes pontos de reflexão (não necessariamente de acordo). O bold é meu.

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